Confiança comunitária: pesquisa da UFMG mostra papel de líderes de periferia no combate à desinformação
A pesquisadora Emanuela de Avelar São Pedro, do Grupo de Pesquisa em Instituições, Públicos e Experiências Coletivas (IPÊ) defendeu, no último dia 6 de abril, sua dissertação de Mestrado no Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UFMG, propondo um novo olhar sobre a desinformação nos territórios periféricos da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Sob orientação da professora Fábia Pereira Lima e coorientação do professor Daniel Reis Silva, o trabalho “Desinformação e relações de confiança: experiência territorial a partir da escuta de líderes e referências comunitárias da RMBH” argumenta que as relações de confiança construídas no cotidiano das comunidades são caminhos mais promissores para enfrentar o fenômeno do que as abordagens tradicionais baseadas apenas em checagem de fatos ou letramento midiático.
A pesquisa, desenvolvida a partir da experiência do Observatório Participativo da Desinformação, projeto da Agência de Iniciativas Cidadãs (AIC), trabalhou com líderes e referências comunitárias de vários territórios da periferia da Grande Belo Horizonte. Os resultados indicam que a desinformação nas periferias não se diferencia tanto pelos temas (política, saúde, benefícios sociais), mas pelo impacto agravado que provoca em populações já vulnerabilizadas, dificultando o acesso a direitos básicos como moradia, assistência social e proteção contra violências. A pesquisa também revelou que os moradores recorrem constantemente a esses líderes para checar informações e decidir votos, depositando neles créditos de confiança construídos ao longo de anos de convivência e atuação comunitária.
A banca examinadora, composta pelos professores Márcio Simeone (UFMG) e Thaiane Oliveira (UFF), destacou a originalidade da abordagem praxiológica da desinformação e a valorização dos saberes territoriais. A dissertação conclui que investir no fortalecimento dessas redes locais de confiança — apoiando iniciativas como jornais comunitários, rodas de conversa e ações de resgate da memória dos territórios — pode ser mais eficaz do que soluções centralizadas para combater a desinformação. O trabalho estará em breve disponível no repositório institucional da UFMG.