Imprensa, relações públicas e lobby na atuação da WHCA - o que isso nos diz sobre a crise na comunicação pública?
Márcio Simeone HENRIQUES
Na noite de 25 de abril de 2026, o tradicional jantar anual da White House Correspondents Association (WHCA) no Hotel Hilton, em Washington, foi abruptamente interrompido por disparos de arma de fogo. O ataque, como nos foi dado saber, foi perpetrado por Cole Tomas Allen, cidadão da Califórnia, um hóspede do hotel que entrou com uma espingarda, uma pistola e várias facas sem ser detectado. Isso expôs muito mais do que possíveis falhas de segurança e delicadas situações políticas que hoje constituem graves crises, interna e externa, dos Estados Unidos. Tudo isso desperta especulações e análises de diferentes tipos e vieses, como é próprio de acontecimentos como este, mas há um aspecto do qual pouco se fala, mas que pode ser muito revelador, se olharmos do ponto de vista da Comunicação. Independente de explicações causais e sem desconsiderar os impactos sociopolíticos, é muito simbólico que tenha ocorrido justo naquele evento e o incidente pode ter o condão de iluminar as contradições profundas que perpassam a própria essência e atuação da WHCA e como isso configura um conjunto de relações.
Não sabemos se por escolha estratégica ou não, o ato se consumou justamente num momento já tradicional que reúne, em confraternização, agentes de imprensa que cobrem o dia a dia da Casa Branca e a cúpula do poder. A existência deste evento diz, aliás, algo por si mesma, quanto à participação da mídia no sistema de poder, do funcionamento concreto da imprensa e de um mecanismo que há mais de um século veio se consolidando. A operação desse mecanismo produziu um ecossistema, se podemos dizer assim, de crescente imbricação entre jornalistas, assessores de imprensa, relações públicas e lobistas. O acontecimento nos faz pensar que provavelmente não foi uma anomalia pontual, mas um sintoma agudo (dentre outros) da falência de um modelo de comunicação pública que vem misturando a apuração jornalística com as filtragens e mediações estratégicas, com a lógica de propaganda governamental (em seu sentido propriamente ideológico), com as operações de lobby e com a lógica do espetáculo patrocinado.
A penetração de um agressor armado em um ambiente onde jornalistas, lobistas e autoridades confraternizavam, de certo modo expõe fragilidades de um sistema baseado em confiança mútua e privilégios de acesso. Nele é possível cambiar influências acerca da cobertura em si, de informações privilegiadas, de patrocínios corporativos, numa espécie de promiscuidade estrutural. Os públicos, compreensivelmente, podem desconfiar e alguns, com efeito, assim se manifestam. Contudo, para toda a opinião pública, em sua generalidade, é cada vez mais difícil distinguir a função de fiscalização (watchdog) da função de entretenimento ou de assessoria naquilo em que se converte a cobertura do poder. Podemos nos perguntar, então, se a violência ocorrida no Hilton não acaba por ser também o reflexo de uma erosão de legitimidade e de autoridade moral da imprensa quando ela, praticamente, se dissolve no próprio ecossistema. Ainda mais se pensarmos que o ambiente da comunicação pública, neste contexto, se mostra fragmentado e polarizado e o modelo perde rapidamente credibilidade, como atributo institucional fundamental para a manutenção sistêmica, tanto do lado governamental como da imprensa. Vale a pena, então, examinarmos alguns aspectos, recuperando elementos que compõem historicamente este modelo, a partir de uma visão institucional da atuação da WHCA e das práticas de relações públicas identificáveis neste processo de construção.
A construção de um modelo
A WHCA nasceu em 1914 com o expresso objetivo de organizar o acesso dos jornalistas à Casa Branca, garantindo condições equitativas de trabalho e combatendo o favorecimento e as informações privilegiadas, num tempo em que ainda não havia regras claras para acesso dos repórteres ao próprio presidente e à Casa Branca. Os próprios correspondentes se uniram para negociar coletivamente essas condições, com a ideia de que, assim, estariam garantindo maior transparência. Atua como entidade independente e sem fins lucrativos e, por sua natureza, também se erigiu como defensora de princípios fundamentais como a liberdade de imprensa e a independência editorial. Em momentos críticos como escândalos, tensões políticas e guerras, a WHCA costuma declarar-se no papel crucial de assegurar que os jornalistas possam continuar a questionar e a informar o público. Dessa maneira, buscam inserir-se num sistema de freios e contrapesos na relação entre governo e mídia. Principalmente neste aspecto, é possível perceber a pretensão de imiscuir-se no próprio sistema institucional e a sua evolução histórica permite atestar essa inserção com amplas evidências.
Um ponto importante a considerar sobre sua atuação é o que se define por “correspondentes”. Quando a WHCA foi fundada em 1914, o acesso dos jornalistas ao presidente ainda era relativamente informal, e o medo de que o governo ou o Congresso decidissem quem poderia cobrir as coletivas motivou a criação da associação. Logo na sua fundação, a entidade começou a realizar uma espécie de credenciamento, para garantir que somente eles tivessem acesso às coletivas e assegurando uma participação mais equitativa dos veículos. A formalização de um credenciamento pelo próprio poder executivo só começou a ser implementado na presidência de Calvin Coolidge (1923-1929), ainda um controle de acesso simplificado. Aos poucos um sistema mais rigoroso foi-se impondo, principalmente após a Segunda Guerra Mundial. O controle mais estrito do Press Office resguarda o credenciamento oficial de jornalistas como uma prerrogativa exclusiva do Poder Executivo e nele são definidos os critérios formais e emitidas as credenciais permanentes (os hard passes), que permitem aos jornalistas acessar o complexo presidencial sem a necessidade de autorizações constantes. Esse processo envolve uma investigação de segurança pelo Serviço Secreto e a comprovação de vínculo com uma organização de reputação, cujo negócio principal seja a disseminação de notícias.
Nessa dinâmica, apresentando-se como independente do governo, a WHCA historicamente geria a rotatividade do press pool para eventos de acesso restrito (como viagens no avião presidencial e reuniões no Salão Oval), enquanto a emissão de hard passes, tornando-se mais complexa e regulamentada, se fixava como prerrogativa exclusiva do Executivo. Isso gerou uma divisão de responsabilidades consensual que foi de algum modo funcional por um tempo, mas era de se esperar que gerasse pouco a pouco uma tensão latente: a crescente demanda governamental de controle da informação, onde o sistema de comunicação oficial poderia ser manejado politicamente trazia também desconfianças sobre o grau de controle que a associação acabava exercendo sobre o pool restrito.
Neste século vimos essa tensão se converter paulatinamente em conflito expresso. Antes de 2017, a revogação de credenciais como forma de retaliação direta a questionamentos ou linhas editoriais era considerada uma medida extrema, raramente utilizada. As tensões existiam, mas se manifestavam de formas diferentes, como eventuais restrições de acesso a certos tipos de evento ou críticas públicas. As situações se tornaram mais severas na convivência com o governo Trump, que se mostrou sempre disposto a retaliar veículos de imprensa específicos e atacar reiteradamente a imprensa. Da remoção pontual, unilateral, de algum veículo do press pool, chegou-se ao ápice em 2025, com o controle completo pelo governo dessa instância, até então gerida pela WHCA, ou seja, tomando o seu principal território de atuação. Para quem vê a Associação como um contrapeso fundamental ao poder do governo em relação à mídia, é uma derrota não só da entidade, mas também da própria liberdade de imprensa. Para críticos conservadores, que veem nisso uma reação ao monopólio da grande mídia sobre o acesso, depositam neste fato um ato de defesa da liberdade de expressão. Essa visão, politicamente polarizada, simplifica a questão em ambos os lados. O debate, inegavelmente, é mais complexo e delicado. Parece fora de dúvida, no entanto, que isso foi um golpe fatal num modelo de comunicação pública que já vinha mostrando sinais de que era engolido pelas próprias contradições e superado em função da emergência de novas composições sociotécnicas da comunicação e de novas realidades políticas, sugerindo uma mudança estrutural em curso.
Uma celebração de relações públicas
O jantar anual de correspondentes, evento mais emblemático da WHCA, é uma tradição ininterrupta desde 1921. Nele convergem jornalistas, políticos, celebridades, o presidente em exercício e outras figuras do alto escalão para uma noite que combina humor e a sátira com discursos substantivos sobre a própria dinâmica que se dá entre a mídia e o poder. Se, na origem, já se poderia questionar essa imbricação festiva entre jornalistas e autoridades, ao longo das décadas essa vitrine pública foi se transformando em um fenômeno ainda mais ambíguo. Para entender essa transformação, é necessário examinar um pouco do contexto, associando-o ao desenvolvimento das atividades de relações públicas e de lobby nos EUA.
Nos primeiros anos da WHCA, a relação entre imprensa e poder estava sendo profundamente modelada por figuras pioneiras das relações públicas. O mais conhecido e citado, Ivy Ledbetter Lee, um ex-repórter, já havia emitido a sua célebre “Carta aos Editores”, em 1906, criando um serviço de imprensa, num manifesto que se tornou, na visão estadunidense, marco inaugural da profissão de RP. Lee e outros que passaram a executar esses serviços para organizações privadas, vinham demonstrando como gerenciar a opinião pública através da imprensa. Ele inventou o press-release e institucionalizou a coletiva de imprensa, criando um modelo no qual as fontes de poder passaram a oferecer informações pré-fabricadas para os jornalistas. Curiosamente, no mesmo ano de fundação da WHCA, Lee fora contratado pela família Rockfeller de modo a reverter uma crise de imagem e reputação do magnata John D. Rockfeller após o Massacre de Ludlow, onde mineiros em greve e suas famílias foram mortos por milícias a serviço da Colorado Fuel and Iron Company.
Quase em simultâneo, deu-se a experiência da Primeira Guerra Mundial, com o Committee on Public Information (CPI), mais conhecido como Comitê Creel, uma agência independente criada pelo presidente Woodrow Wilson, em 1917 – diga-se de passagem, chefiado por um jornalista investigativo, George Creel. Neste comitê atuou um outro expoente das relações públicas, Edward Bernays, além de outros futuros líderes de RP. A ampla estrutura de propaganda usava de todos os meios disponíveis para vender a ideia da guerra aos americanos. A atuação neste amplo laboratório inspirou a exportação para o setor privado e para a política da ideia de que a opinião pública podia ser “fabricada” em escala industrial. Bernays, particularmente, saiu dessa experiência convicto de que as mesmas técnicas de propaganda poderiam ser usadas em tempos de paz para realizar o que chamaria de “engenharia do consentimento”, transformando a opinião pública em matéria-prima a ser moldada. Quando Bernays abriu sua agência de RP em Nova York, em 1919, ele deliberadamente evitou o termo propaganda, dada a conotação negativa que ganhara, preferindo autodeclarar-se “conselheiro em relações públicas”, profissionalizando a atividade que passaria a habitar o poder corporativo e orbitar o poder em Washington.
Assim, a WHCA, ao mesmo tempo que procurava garantir acesso formal dos jornalistas à Casa Branca, viu-se operando num ambiente mediado por esses novos profissionais da comunicação e numa rede de interinfluências que se tornava mais complexa no próprio âmago do sistema. Enquanto a associação negociava regras para credenciamento e formava os pools para entrevistas coletivas ou acompanhar os eventos, figuras como Lee e Bernays atuavam para ensinar e convencer as corporações e o governo a institucionalizar suas relações com a imprensa, oferecendo informações estrategicamente preparadas, fabricando acontecimentos midiáticos e cultivando relacionamentos com repórteres baseados em confiança e acesso privilegiado. Essa articulação criou uma ambiguidade que podemos ver até hoje em operação e que, a esta altura, podemos considerar como estrutural: a imprensa continuava formalmente independente, mas suas pautas, seu ritmo e até seu tom passavam a ser influenciados por uma indústria que dominava a arte de criar agendas e alimentar o noticiário sem, contudo, parecer controlá-lo. O jantar da WHCA, então, tornou-se a celebração visível de uma simbiose, onde jornalistas, fontes governamentais e profissionais de RP confraternizam e, de certo modo, normalizam uma dependência da mídia em relação ao poder e os paradoxos entre monitorar e assessorar.
Outra questão a considerar é o entrecruzamento histórico dos primórdios da WHCA e das relações públicas com a institucionalização da prática do lobby. À mesma época, este começava a ser tratado institucionalmente, como já defendido ocasionalmente desde o século anterior. Em 1912 a questão se encontrava em evidência e regulamentação era defendida, por exemplo, pelo Partido Progressista (fundado por Theodore Roosevelt), em proposta de 1912. Este tipo de influência já era exercida há muito, informalmente, com a nomeação de lobbyst para seus agentes pelo menos desde 1832, mas clamava-se então por medidas como a exigência de registro para lobistas atuarem junto aos órgãos do centro do poder e de transparência às atividades dos comitês. Esta penetração cada vez maior e institucionalizada foi progressiva ao longo do século XX. Importa que, na visão prevalecente nesta fase vivida pré e pós Primeira Guerra, evidencia-se uma resposta do sistema político à mesma demanda geral, que era a de regular e dar transparência à relação entre poder público, imprensa e interesses privados. Ocorre, porém, que o crescimento e aperfeiçoamento das atividades de relações públicas tanto incorporou vários elementos do lobby como, ao contrário, contribuiu para dar-lhe novas feições. Não temos o objetivo aqui de desenvolver em detalhes esse fenômeno, mas registrar que não podemos compreender essas relações complexas reduzindo o olhar a qualquer uma dessas variáveis. Afinal, o sucesso do lobby, tal como foi se constituindo e penetrando mais vivamente no sistema institucional, deixou de ser somente algo feito nos bastidores do poder, para beneficiar-se da influência construída junto à opinião pública, como fator estratégico.
Em suma, o que vemos, então? Que o surgimento e a evolução da WHCA foram parte integrante do desenvolvimento do complexo midiático em sua penetração no sistema institucional envolvendo o jornalismo, as relações públicas, a propaganda e o lobby, dentro de uma justificativa ancorada em abordagens liberais, compondo um modelo de comunicação pública vigente e dominante por várias décadas. Contudo, queremos ainda examinar alguns aspectos que, diante do recente acontecimento, podem ser sintomáticos do progressivo esgotamento deste modelo e demonstrativos da acutização de uma crise da própria comunicação pública.
O jantar indigesto
O jantar anual da WHCA, apelidado em 2009 de “Nerd Prom”, converteu-se ao longo do tempo em um fenômeno ambíguo, a partir do momento em que deixa de se configurar somente como um momento de celebração do jornalismo investigativo e da Primeira Emenda, a que garante a liberdade de expressão e de imprensa na constituição dos EUA, para ser um evento largamente patrocinado por grandes corporações, grupos de lobby e firmas de relações públicas, com presença ostensiva desses atores.
As principais evidências dessa relação estão na programação paralela que cerca o jantar da WHCA. Relatos mostram que essas celebrações são, em grande parte, patrocinadas por grandes grupos de lobby e empresas de relações públicas. A programação paralela do jantar da WHCA em 2011, conforme descrita por Dana Milbank do The Washington Post, ilustra bem isso: aconteceu nos escritórios da American Gas Association, onde repórteres da Casa Branca foram “agraciados” pelos lobistas da firma Quinn Gillespie & Associates, conhecida por representar clientes corporativos perante o governo. Diante dos dilemas e contradições dessa prática, houve quem adotasse posturas mais rigorosas. O The New York Times, por exemplo, proibiu seus repórteres de comparecer ao evento, em 2007. Na ocasião, o estopim foi uma coluna do jornalista Frank Rich, que argumentou que o evento ilustrava “como uma Casa Branca movida a propaganda pode facilmente cooptar a imprensa de Washington em seus espetáculos”. Desde então isso continua em vigor como política do jornal até os dias de hoje, muito embora a proibição não seja total, podendo os jornalistas participar de festas e recepções em torno do jantar e dele podendo participar especificamente para receber prêmios jornalísticos da WHCA. Neste cenário, a atitude do NYT pode ser vista, ela própria, como ambígua (e muitos a tomam por hipócrita), o que também não deixa de ser revelador sobre os problemas do próprio modelo. O conhecido e veterano jornalista Tom Brokaw há anos boicota individualmente o jantar, argumentando que o evento separa simbolicamente a imprensa das pessoas que ela deveria servir.
Um episódio significativo referente ao jantar se deu no evento de 2025, tornando-se emblemático. A WHCA demonstrou fragilidade ao cancelar a comediante Amber Ruffin como atração, após ela se referir à administração federal como um “bando de assassinos”. Diante da crítica do chefe de gabinete da Casa Branca, que questionou o patrocínio de um evento “cheio de ódio”, a associação recuou, substituindo a comédia política por outro entretenimento. Assinale-se que o presidente não participou desta edição do jantar, nem das que ocorreram durante o seu primeiro mandato, só o fazendo agora.
A relação pessoal do presidente atual com o jantar adicionou mais uma camada (ou várias) de complexidade a esse cenário. Aliás, ele fora ridicularizado pelo ex-presidente Barack Obama e pelo comediante Seth Meyers no evento de 2011, o que muitos analistas creditam ter sido um estímulo para sua ambição presidencial. Ele boicotou a cerimônia durante todo o seu primeiro mandato, chamando a imprensa de “inimiga do povo”. Sua decisão de comparecer em 2026, pela primeira vez, foi recebida com ceticismo por parte da imprensa. Bem ao seu estilo próprio, ele justificou a ida com uma declaração sarcástica, dizendo que já que os jornalistas finalmente tinham admitido que ele era o maior presidente da história, aceitaria a homenagem. Sua presença no momento do atentado, e sua subsequente utilização política do incidente para defender a construção de um mega salão de bailes na Casa Branca, mostram como o evento se tornou um palco onde a política de autoimagem, a segurança nacional e as relações institucionais entre imprensa e governo se embaralham.
Pouco se fala que, às vésperas do fatídico jantar deste ano, mais de 250 jornalistas, incluindo figuras proeminentes como Dan Rather, ex-âncora da CBS News e Sam Donaldson, ex-âncora da ABC News, enviaram uma carta aberta em 19 de abril à associação, exigindo que ela utilizasse o púlpito do evento para demonstrar vigorosamente uma oposição ao presidente, citando seus processos judiciais contra veículos de imprensa, suas restrições de acesso e seus ataques verbais a repórteres. Como resposta, a associação apenas endossou formas tímidas de protesto, como o uso de broches ou lenços com os dizeres da Primeira Emenda, mas recusou-se a qualquer confronto direto com o presidente no palco. Adicionalmente, evitou contratar um comediante como atração para o banquete.
Enfim, a WHCA oscila entre uma função declarada de guardiã do princípio fundamental do direito dos públicos serem informados sobre o que o governo faz, por meio de uma imprensa livre e a sua presença no cerne do próprio sistema de poder, como uma extensão do próprio establishment, onde jornalistas, assessores de imprensa e de relações públicas e lobistas se nutrem da própria dinâmica de privilégios e acessos restritos. É de se perguntar se, ao se curvar às pressões de lobbies, ao capitular diante de intimidações do governo não estaria defendendo muito mais o seu próprio pool de elite do que aquele princípio fundador. Não se trata, portanto, apenas de uma crise de legitimidade daquela associação, senão do próprio modelo no qual ela é um dos agentes, um elemento a mais que se soma a muitos outros que estão a desafiar as institucionalidades e, em paralelo, a comunicação pública. Uma boa reflexão para este Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, efeméride instituída pela Organização das Nações Unidas.
Imagem: site da WHCA – https://whca.press/
Publicado em 03/05/2026